Solução jurídica para moradores de conjunto habitacional em Mauá é adiada para junho

Por Portal Opinião Pública 28/01/2019 - 10:34 hs
Foto: Luciana Bonadio / G1

 

O que parecia a esperança de solução jurídica para ação judicial que se arrasta há 13 anos foi adiada por pelo menos cinco meses. Proprietários de apartamentos do Conjunto Habitacional Barão de Mauá, construído na década de 1990 em área contaminada da cidade, no Parque São Vicente, se animaram em novembro com o anúncio por parte do MPF (Ministério Público Federal) e da Caixa de que os financiamentos, que foram interrompidos em 2005, poderiam ser refinanciados pelo banco. No entanto, a previsão do órgão federal é a de que até junho seja concluída apenas a parte de levantamento documental e cadastral dos cerca de 70 mutuários beneficiados.

Marcada para novembro, a rodada de negociações previa que cada proprietário pudesse fechar acordos com a Caixa e refinanciar seus apartamentos com desconto. As famílias aguardam definição sobre seu destino desde o ano 2000, quando a manutenção em bomba da caixa-d’água subterrânea causou uma explosão, vitimou fatalmente um operário e deu início à disputa judicial movida por moradores contra Cofap e construtoras Soma, SQG e Paulicoop por danos morais e materiais. 

Apesar disso, o encontro serviu apenas para definir o modus operandi para identificar quem poderia se beneficiar dos acordos, explicou a procuradora da República que acompanha o caso, Maria Emília Moraes de Araújo. “Ainda estamos fazendo o levantamento das situações individuais. Pedimos os dados aos síndicos e vamos cruzar com os dados da Caixa. Mas é um processo muito lento”, justificou. 

Para o corretor de imóveis Lindomar Alvins, 49 anos, proprietário e representante da ação junto ao MPF, os acordos não são positivos. “Como vamos refinanciar imóveis que são irregulares, que não contam com escritura?”, questionou. Segundo Alvins, quando houve o incidente que vitimou um operário, a construção dos prédios que ainda não estavam prontos foi embargada – o projeto previa 72 torres, das quais apenas 54 foram concluídas e abrigam quase 2.000 pessoas – e não houve emissão de Habite-se pela Prefeitura. 

A Caixa informou “que as cláusulas gerais de acordo estão em negociação, com possibilidade de redução do saldo devedor para os contratos inadimplentes. Os mutuários poderão aderir de forma individual ao acordo”.

Sobre a descontaminação do solo, onde foram detectadas mais de 40 substâncias tóxicas, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) informou que praticamente todas as medidas de intervenção previstas foram implantadas e estão sendo operadas, com resultados satisfatórios. Novas ações de cunho ambiental devem ser propostas até junho.